Amor encontrado no desalento – Capítulo 1

Este é o capítulo 1 do Conto Amor Encontrado no Desalento

A primeira vez que eu vi Noah Redflower, achei que ele fosse um voluntário. Ele estava sentado em frente à clínica da unidade de cuidados paliativos, enrolado em um cobertor, apesar do calor da tarde de Dakota do Sul. Ele era jovem, bronzeado, com o típico cabelo extravagante de um nativo de Lakota.

— Eu sou Marc — eu disse, estendendo minha mão. Eu tinha um olho roxo e uma bochecha inchada, parte da razão pela qual eu tinha permissão para cumprir o resto da minha sentença como voluntário naquele hospital.

— Noah Redflower — disse ele, apertando minha mão, e revelando um braço cheio de tatuagens — Você foi transferido do reformatório?

Eu forcei uma risada. Eu sabia que eu parecia mais jovem do que era. Eu tinha o cabelo castanho ondulado da minha mãe e olhos escuros, fazendo-me parecer mais feminino do que eu gostaria. Meus colegas de cela não me deixavam esquecer disso.

— Na verdade, tenho 26 anos. — eu disse ansioso para entrar logo, pois o sol estava se tornando insuportável — Fui transferido de Atlantic City.

— Sério, cara? — Noah disse com uma risada — Caramba, velho, você está bem longe de casa.

— Sim — eu disse, olhando para o meu uniforme azul e surrado da prisão — Eu fiz um acordo judicial pra ser mandado pra cá.

— Verdade? Ah, beleza! — Noah se levantou.

Ele colocou um dedo no meu queixo, levantando meu rosto como se me examinasse. Achei que ele ia dizer algo sobre o meu rosto — O quê?

Noah me encarou com um olhar sedutor — Você é mexicano?

— Italiano. — eu disse nervosamente, quase engasgando. Havia algo em Noah que me fazia sentir como um adolescente falando com seu ídolo de Hollywood — Meus avós do lado da minha mãe eram da Sicília.

— E seu pai?

— Eu nunca conheci meu pai. — As palavras escorregaram dos meus lábios como água fluindo por um riacho — Ele não era a primeira pessoa pra quem eu contava isso, mas foi a primeira quem realmente pareceu se importar.

Noah acenou com a cabeça e mordeu o lábio. Ele parecia que estava prestes a responder, mas em vez disso forçou a língua contra a bochecha. A maneira como ele movia a boca não era só sensual, mas contemplativa. Eu vi algo em seus olhos que eu não via há muito tempo: uma química que não sentia há tempos — Então, Marc, você tem uma garota em Nova Jersey?

— Não, mano — eu murmurei o mais casualmente que pude — Eu gosto de caras, mas em Jersey isso me arruinou. Eu era uma aberração, e quando fui preso por tráfico de drogas, me tornei propriedade dos outros caras. — Haviam cicatrizes no meu corpo, tatuagens em lugares que eu preferiria esquecer. E depois do incidente que quase me matou, eu realmente acreditei que meu corpo nunca mais pertenceria a mim mesmo. Mas, ali estava eu, diante daquele anjo; com borboletas no estômago e com o pau duro feito pedra.

Noah moveu seu rosto perto do meu. Senti o cheiro da menta do chiclete que ele estava mascando — Tá a fim de se divertir?

Meu corpo estremeceu, e eu imediatamente dei um passo para trás — Hã?

Noah colocou a mão sobre a minha, nunca rompendo contato visual. Suas mãos estavam trêmulas e eram cobertas de cicatrizes — Eu também fui propriedade de algumas gangues diferentes.

Em meu uniforme hospitalar eu sabia que minha ereção era visível e ele já tinha notado — Sim, eu também.

Os olhos de Noah se encheram de uma inocência quase infantil — Bem, então, bem-vindo ao paraíso.

— Valeu. — Deixei-o pegar minha mão, andando como um casal do ensino médio.

Ele não era muito mais alto ou maior do que eu e mantinha um jeito descontraído enquanto caminhávamos pelos corredores até o quarto de pacientes número 0654.

Eu estava pronto ou tão pronto como jamais estaria — Você tem a chave?

Noah colocou a mão no bolso, e tirou um cartão magnético, mas ele parecia hesitante em abrir a porta. Ele colocou o cartão entre os meus dedos para que abríssemos a porta juntos. Sua mão estava tremendo ainda mais que antes.

— Você está bem? — Eu perguntei — Eu posso simplesmente ir, quero dizer, eu provavelmente deveria ir avisar que cheguei de qualquer maneira.

Noah virou-se para mim. Ele passou suavemente a ponta dos dedos na minha bochecha, olhando amorosamente nos meus olhos — Eu costumava ser como você. Eu era um animal de estimação, um brinquedo, um objeto de foda, mas aqui, nós vivemos como reis, entedne? Porque aqui temos escolha. — Ele moveu os lábios mais perto dos meus, parando bem pertinho. Eu podia sentir o calor de sua respiração. Instintivamente eu me aproximei o suficiente para sentir a maciez dos lábios dele. Nós nos beijamos lentamente, suave e lentamente. Coloquei minha mão naquele rosto angelical, sentido a sua maçã do rosto. Parecia um sonho.

Eu sabia que a bola estava no meu campo: abri a porta. Parados na porta eu acariciei o rosto dele, beijando-o agora profunda e fortemente. Minhas mãos tremiam enquanto olhava nos olhos dele.

Noah sorriu ligeiramente — Que beijo bom! — Ele me beijou de novo enquanto fechava a porta sem fazer o menor barulho.

Abri minha boca para provar a língua dele. O que Noah aproveitou para empurrar seu chiclete na minha boca enquanto me beijava de volta e a gente se arrastava juntos para a cama de casal que tinha no quarto.

O quarto era claramente um quarto de paciente de hospital, mas a cama grande no quarto bem iluminado fazia aquele lugar parecer um motel barato.

Eu deitei na cama, minha camisa levantada mostrava a parte de baixo do meu abdômen. Meu corpo estava suado, e eu tinha medo que cheirasse mal, mas a frieza refrescante do edredom macio era agradável nas minhas costas doídas. Fechei os olhos quando senti a língua de Noah deslizando do meu umbigo para os meus quadris.

— Eu tenho uma queda por caras com poucos pelos — disse Noah entre beijos — Do jeito que os trutas se aparam você pensaria que tá entrando numa selva. — Ele desamarrou o cadarço das minhas calças, libertando minha ereção furiosa — Posso tocar em você?

— Sim, por favor.

Meu novo amigo colocou os lábios na cabeça do meu pau. Ele não cuspia, mas babava o meu pau todo, lambendo-me como um picolé. Eu sabia que não era dotado como ator pornô, talvez uns 16 cm da base até a cabeça, mas Noah trabalhava nele lentamente.

Segurando os lençóis, eu sabia que eu estava vazando pré-porra na boca dele. — Eu gosto muito disso, cara!

— Que bom! — Ele fez garganta profunda algumas vezes antes de parar e puxar minha calça até meus joelhos. Se eu não estivesse usando sapatos, acho que ele teria tentado tirá-la completamente. — Agora, abra as pernas.

Senti as mãos dele me masturbando, alternando entre movimentos rápidos e lentos. Eu já estava perto de gozar, mas quando ele colocou a boca nas minhas bolas, lambendo e chupando, tive que me conter pra não gritar. Então senti a língua dele indo me chupar por trás.

Eu já tinha chupado rabo antes, mas nunca tinha estado do lado receptor. Noah tinha uma língua muito talentosa. Aquela língua macia e úmida me enchia, penetrando-me mais fundo do que eu jamais tinha sido antes. Aquilo era mais do que sexo: era um prazer dado sem exigir nada em troca.

Eu queria tanto me masturbar, me dar meu primeiro orgasmo real em Deus sabe quanto tempo, mas havia uma coisa que eu queria ainda mais — Posso tocar em você?

— Mas claro, cara. — Noah pegou minha mão, colocando-a em seu pau duro. Ele era grande, mas naquele momento isso não importava. Eu queria agradá-lo, eu queria amá-lo.

Abri os olhos, olhando para o teto e foi quando vi. No canto da sala havia uma sutil câmera de segurança. — Ah, foda-se…

Houve uma batida na porta — Noah! — gritou uma voz feminina severa — É a dra. Miller. Eu vou precisar que você abra a porta.

Noah suspirou — Eu acho que você tem que ir trabalhar, não é? — Ele se levantou e casualmente caminhou até a porta — Talvez a gente possa brincar mais tarde.

Ele abriu a porta pra revelar uma médica de meia-idade. Ela era baixinha, loira, mas com um rosto gentil como o de uma professora — Olá, Marc, vejo que já conheceu Noah.

Eu me vesti o mais rápido que pude, puxando minhas calças pra esconder minha agora desconfortável ereção — Sinto muito, dra. Miller…

— Não se preocupe, você não será denunciado, afinal esta é sua primeira ofensa — disse ela, da porta — não é à toa que Noah se auto denomina o paciente que dá as boas-vindas! — a dra. Miller suspirou — mas, por favor, esteja ciente de que a administração da prisão desaprova o envolvimento de voluntários com os pacientes.

Quase caí pra trás — Noah é um paciente?

— Sim. — disse a dra. Miller com um aceno rápido — Noah Redflower, 22 anos, melanoma ocular em estágio avançado. — explicou a médica, enquanto dava um tapinha no ombro de Noah como um se ele fosse um cachorrinho que tinha mijado no tapete — E Marc, tenho certeza que você se lembra da orientação, isso é tudo que você pode saber sobre qualquer paciente sob seus cuidados. A menos, é claro, que essa informação seja compartilhada com você voluntariamente. Considerando a afinidade de Noah por compartilhar coisas…

Eu rapidamente ajeitei minha roupa, tentando me fazer parecer apresentável, justamente quando um homem alto com traços latinos passou por mim.

— Com licença. — disse ele com uma voz profunda e ameaçadora. O homem era arrogante, mesmo empurrando um suporte com medicação intravenosa. Tinha uma bandana de flanela vermelha na cabeça e era possível notar que mancava, ele era definitivamente um paciente. Mas antes de adoecer, ele tinha sido alguém poderoso. Tecnicamente ele ainda era.

— Sinto muito, senhor — respondi e rapidamente passei para o lado da dra. Miller.

O homem alto olhou para Noah — Vejo que você ainda não gozou.  — Ele estava certo, o pau de Noah ainda exposto estava completamente ereto — Com licença, dra. Miller.

Ela segurou meu braço e me levou para fora — Venha, Marc, vamos fazer o seu check-in. — Não precisou dizer duas vezes.

Quando saímos, pude ouvir os sons inconfundíveis de sexo — Quem era aquele? — Perguntei quando estávamos a uma boa distância.

— Juan-Palo Santiago, colega de quarto do Noah.

Meu corpo congelou instantaneamente.

— Você está bem? Você reconhece esse nome?

— Sim. — Eu conheço. Ele já foi um lendário traficante peruano, um conhecido rival das pessoas para quem eu trabalhava. Essa confusão diminuiu quando outro pensamento passou pela minha cabeça — Por que tem apenas uma cama?

— Eles receberam permissão para juntar as camas — respondeu a dra. Miller como se isso fosse uma ocorrência comum.

— Todos os pacientes têm essas regalias?

— Os pacientes aqui têm menos de um ano de vida, em média, então o diretor está disposto a fazer vista grossa, desde que não haja problemas de agressão ou violência. — ela pegou uma pasta de papéis e uma bolsa, entregando as duas para mim.

— E quão doente ele está? — Eu perguntei, olhando para a bolsa de uniformes médicos e roupas de prisão.

— O câncer dele já desenvolveu metástase no cérebro todo. Você vai ver o pior disso à noite. Você também vai entender por que estamos dispostos a permitir que ele se envolva tão intimamente com um colega de quarto. Deixe-me te mostrar seu quarto e seus colegas de trabalho.

Fomos até o elevador e depois para o subsolo. Os dormitórios eram o principal atrativo para os voluntários detentos; beliches em quartos com aquecimento, ar, uma academia privada, e todo tipo de comida boa que você poderia imaginar, se mantivesse um bom comportamento, é claro.

Fui colocado em um dormitório reservado para os funcionários da noite, e me escalaram para o próximo turno, das 8h da noite às 8h da manhã seguinte. Isso ia ser interessante.

Ao abrir a porta, vi que dividiria um quarto com outros três caras. Um deles estava embalado em um sono sob um cobertor amarelado da prisão, enquanto os outros dois estavam escrevendo em cadernos. Pensei em deixar minhas coisas e tomar um banho pra dormir um pouco antes do meu turno começar.

— Você não vai dizer olá?  — perguntou o homem mais velho no beliche de cima — Nós não mordemos.

Um homem loiro mais jovem, com dreads e um bronzeado surfista riu do beliche oposto — Ao contrário de Noah Redflower.

O homem mais velho riu — Ah, nem comece a falar nesse esquisito. De qualquer forma, você pode me chamar de Carlos — disse ele, olhando por cima de seu caderno apenas um instante suficiente para fazer contato visual.

— Oi. — respondi nervosamente — Por que ele chamou Noah de esquisito? O que vocês sabem sobre Noah Redflower? Qual é o negócio dele?

— Ele é fodido da cabeça — respondeu o loiro — Igual à sua cara.

Eu quase tinha me esquecido da minha bochecha cheia de cicatrizes — Engraçado.

O jovem estendeu a mão — Eu sou Adam. Presumo que tenha sido enviado aqui por bom comportamento. Ou você tem algum tipo de experiência médica?

— Eu sou Marc. — apertei a mão dele finalmente me sentindo confortável o suficiente para sentar na minha nova cama — E, quanto porquê eu estou aqui? Acho que é um pouco dos dois. Eu tenho um diploma de medicina e uma tonelada de dívidas, que é o que me trouxe aonde estou hoje.

Adam soltou uma gargalhada — Não me admira que você tenha sido escalado pro turno da noite.

Eu infelizmente não estava brincando sobre o meu diploma, mas não era sobre isso o que eu queria falar — Então, fale-me sobre Noah. Quero dizer, como alguém tão jovem vem parar aqui?

Adam se inclinou — Pelo que eu ouvi, o menino está aqui há mais de dois anos.

— Como assim?

— Dizem que ele foi espancado feio, bateu a cabeça, ou algo assim. Quando ele foi levado para tratamento, os médicos encontraram um tumor crescendo na parte de trás do olho. — a voz de Adam estava ficando cada vez mais animada, como um garotinho dissecando um sapo na aula de ciências — A posição do tumor, combinado com uma fratura no crânio, ou sei lá o que, fez com que ele se tornasse um viciado em sexo.

— O quê? — olhei para aquele cara mais velho pra ver se ele estava me zoando.

Carlos só balançou a cabeça — Isso resume tudo. — Ele fechou seu caderno, olhando-me nos olhos com um senso de piedade — Quero dizer, não me entenda mal, Noah é um garoto doce; um poeta de verdade, inteligente. — Tive a sensação de que Carlos estava tentando não parecer um valentão. — Só não deixe que ele te arraste para o quarto com a câmera. Eu nunca fui, mas meninos como o Adam e, — ele acenou para o rapaz adormecido — Kyle, eles já viram muita merda.

Olhei para o Kyle. Tudo o que eu podia ver era seu cabelo escuro e o fato de que ele tinha pelo menos 1,80 m, consideravelmente mais alto que qualquer um dos outros dois. Queria poder ver o rosto dele. Mas por enquanto, eu precisava mudar de assunto. — E Juan-Palo Santiago?

Carlos deu de ombros — O que tem ele?

Fiquei boquiaberto. Era impossível que não soubessem quem ele era. — Ele era chefe do cartel peruano.

Adam bufou enquanto ria — Peru? Não estou surpreso… Quer dizer, eu também não estou impressionado. Trabalho aqui há dois anos e acho que já vi alguns criminosos do alto escalão durante esse tempo. Acho que o último grande foi um cara de Honduras.

— Eu me lembro dele — Carlos acenou casualmente — o criminoso de guerra que fez um acordo por delação. Ele era um cara até legal. Acho que ele se converteu ao cristianismo antes de morrer.

— Agora estou confuso — eu disse com um riso forçado — aqui é um descarte do FBI ou algo assim?

Carlos suspirou — Não é tão difícil de entender. Os pacientes aqui são todos doentes terminais, e mesmo que tentassem escapar, estamos no meio das terras ruins da Dakota do Sul. De qualquer forma, para responder sua outra pergunta: Juan-Palo chegou com câncer de próstata em estágio terminal. Ele é meio durão, sabe, mas Noah, aquele garoto faz algo com ele. Se eu não soubesse do fetiche por voyeurismo do Juan, diria que eles têm uma relação bem saudável entre pai e filho.

Fetiche por voyeurismo? Isso explicava a súbita aparição de Juan. Ele estava assistindo ao amante fazer um show.

Adam estava deitado em sua cama, com os olhos fechados — Juan-Palo observa da sua câmera de segurança pessoal, mas é muito mais interessante quando ele está no quarto. O pau dele não funciona mais, então ele nem se masturba, mas dá para ver que ele fica todo animado.

Eu já tinha ouvido o suficiente — Acho que vou tomar um banho. — peguei uma muda de roupas e fui ao banheiro. Não tinha tranca na porta, e eu presumi que era porque o quarto tinha seu próprio banheiro. Eu podia ouvi-los rindo. Do outro lado do ambiente, vi uma segunda porta, a qual presumi, levava para outro dormitório. Eu tinha me mudado para o outro lado do país pra ter a mesma falta de privacidade que tinha antes. Pelo menos essas pessoas não tentariam me matar por ser um médico da máfia.

Assim eu esperava.

Quero dizer, eu tinha uma queda por um cara que era abertamente propriedade de Juan-Palo Santiago. Coloquei minha muda de roupas em uma cadeira, encostando-a na porta misteriosa. Dessa forma eu ao menos saberia se alguém entrasse.

Tirei a roupa e entrei debaixo de um dos quatro chuveiros que haviam ali, deixando a água morna massagear meu corpo. Haviam lágrimas nos meus olhos e uma dor profunda no meu coração. Mas o pior de tudo, meu pau estava duro de novo. A ideia de me tocar me deixou enjoado.

Eu coloquei a água na temperatura mais fria. Respirei fundo, eu só queria me sentir dormente. Eu não sabia o que era pior, ter sido agredido pelos internos ou a suspeita de que Noah podia ser um doente mental.

Uma coisa era certa, eu tinha as próximas doze horas para descobrir a verdade.

Esta é uma adaptação da estória original em inglês Found Love in a Hopeless Place de Mary Ramsey
Conheça o blog do autor aqui.

Carregando...
5 3 votos
Avaliação
Inscrever
Receber notificações de
guest
0 Comentários
Comentários embutidos
Ver todos os comentários